Notícias

Nossa Arrojo estrutural marca novo empreendimento do Porto Maravilha

Com pilares inclinados e amplos panos de vidro, o AQWA Corporate, no Rio de Janeiro, tem arquitetura com a marca de Norman Foster. Suas duas torres somam 74 mil m² de área locável

Ainda que em ritmo mais lento por conta da forte crise financeira e política que acomete o Rio de Janeiro, a região do Porto Maravilha, no centro da capital fluminense, continua seu plano de expansão e revitalização iniciado em 2011. Neste ano, a inauguração da primeira das duas torres que compõem o AQWA Corporate, complexo corporativo triple A, é um indicador dessa resiliência carioca. O empreendimento da Tishman Speyer com mais de 74 mil m² de área locável ocupa um terreno de 24 mil metros quadrado em frente à Baia de Guanabara.

Com lajes de até 3.700 m², o conjunto tem arquitetura concebida pelo badalado arquiteto britânico Norman Foster, com a colaboração dos arquitetos do escritório brasileiro RAF Arquitetura. Vencedor do Prêmio Pritzker em 1999, Foster é autor de projetos icônicos, como a Commerzbank Tower, em Frankfurt (Alemanha), e o Viaduto de Millau (França).

Com linhas marcantes e angulares que remetem a diamantes e aos navios do porto, o conjunto de 90 m de altura chama atenção pela estrutura arrojada, pelo atendimento a rigorosos requisitos de sustentabilidade e pela interação com o entorno, como mostramos a seguir.

PILARES INCLINADOS

Durante a concepção do AQWA Corporate, Foster e sua equipe planejaram uma dupla de torres sinuosas que se conectam pelo topo. Combinando aço e concreto, a estrutura dos edifícios se baseia em linhas de vértices que se encontram de modo preciso em forma de V e Y. Para viabilizar esse conceito, um dos elementos mais vitais são as megacolunas inclinadas junto às fachadas que geram diferenças entre os pavimentos sucessivos e excentricidades de até 20 m em relação à base.

Com 90 m de altura, esses elementos nada mais são do que pilares mistos, de aço preenchido com concreto e revestidos com alumínio. Em alguns trechos, como nos pontos de intersecção dos vértices, as colunas receberam concreto de alta resistência com fck de até 85 MPa.

Complementam a estrutura o núcleo de concreto armado, onde foram acomodados elevadores e escadas, além de pilares e vigas de aço. As lajes são todas em steel deck com chapas de aço zincado.

O projeto de estruturas foi realizado pelos engenheiros do escritório JKMF (estrutura de concreto) e da Codeme (estrutura de aço). De acordo com Juliano Lanza, projetista da Codeme, a precisão geométrica das peças de aço foi decisiva para garantir a exatidão requerida para a manutenção dos vértices. Ele conta que o projeto de estruturas metálicas desenvolvido em 3D e compatibilizado com a arquitetura com a ajuda da ferramenta de clash detections (identificação de interferências) seguiu diretamente para as máquinas onde eram fabricadas.

 

“Diante de um projeto tão complexo, havia um risco imenso de não executar a estrutura com precisão, o que implicaria em problemas na montagem das fachadas”, comenta Lanza. Durante a montagem da estrutura, o uso de tecnologias como o laser scanner também foi crucial para o sucesso da empreitada. Isso porque esse tipo de equipamento realiza a leitura de milhões de pontos e monta uma imagem 3D da superfície analisada numa escala de 0,1 mm, permitindo o controle dimensional da estrutura.”   Juliano Lanza

EDIFÍCIO SUSTENTÁVEL

A arquitetura projetada por Foster previu um vão livre de 30 m, viabilizado com a instalação de uma viga de aço instalada a 15 m do chão. Tamanho arrojo estrutural não foi sem motivo. Uma das preocupações que acompanharam os arquitetos no desenvolvimento do AQWA foi viabilizar a ampla praça térrea sob a torre, integrada a um parque linear com 400 m de extensão. A solução agregou permeabilidade ao empreendimento, que soma quase 5 mil m² de lojas e restaurantes, e integração com o espaço público. Também permitiu elevar o lobby, garantindo uma vista privilegiada a quem passa pelo local.

Além da estética, a fachada inclinada revestida com vidros refletivos de alto desempenho e caixilhos de alumínio permitiu minimizar o efeito indesejado da radiação. O cuidado tornou-se ainda mais necessário diante do desejo dos empreendedores de obter o selo de sustentabilidade LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) na categoria Gold.

Contribuiu para somar pontos no quesito sustentabilidade uma série de soluções que agregaram eficiência ao edifício no uso de recursos naturais. Destacam-se, nesse sentido, o sistema de ar-condicionado com chillers em série, que consome menos energia; o sistema de reaproveitamento de água da chuva para irrigação dos jardins; e os elevadores equipados com o sistema de antecipação de destino de chamadas, que permite racionalizar o consumo de energia e reduzir o tempo de espera das pessoas.

 

Fonte: AECweb